DIVERSOS – Os inesquecíveis

Carlos Ribeiro Justiniano Chagas nasceu em Oliveira em Minas Gerais. Em 1903, formou-se em médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em junho de 1907 designado pelo médico sanitarista Osvaldo Cruz, Chagas chegou a Lassance com a missão de debelar um surto de malária que havia interrompido os trabalhos da ferrovia Central do Brasil em Minas Gerais. Nos períodos em que passava no local, Chagas usava como acomodação um vagão estacionado num desvio da estação de trem, que servia também como consultório e laboratório.

Interessado não só pela profilaxia da malária, mas também pelos insetos e parasitas causadores de certas doenças o médico coletava espécies de animais e investigava pacientes que aparentemente existiam sintomas que não tinham a ver com a malária.

Um percevejo hematófago comum na região despertou a atenção do médico. Como as noites naquela área costumavam ser frias, a única parte do corpo não coberta durante o sono geralmente era o rosto, picado pelo inseto. Daí o apelido de “barbeiro” ao inseto que se escondia nas frestas das paredes das casas durante o dia e a noite saía para se alimentar.

Chagas conhecia a importância dos insetos hematófagos como transmissores de doenças parasitárias e começou a dissecar barbeiros. Depois de pesquisas diversas encontrou nesses animais protozoários que representavam uma nova espécie de Tripanossomo que chamou de Tripanossoma Cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz. Em Lassance, Chagas o identificou no sangue de uma menina de dois anos *Berenice.

Em abril de 1909 publicou uma nota no periódico Brasil Médico comunicando a descoberta de uma nova doença, do parasita que provocava e do inseto que o transmitia. A descoberta é considerada um feito único na história da medicina, por ter descrito o ciclo completo da moléstia – a doença de Chagas – além de ter sido realizado por uma única pessoa.

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